Um dia desses, estava eu indo para o estágio, tendo que enfrentar a rotina de qualquer manhã turbulada no centro do Rio de Janeiro, como de muitos trabalhadores para que no final do mês sejam ‘abençoados’ com um salário mínimo no sentido literal da palavra, no entanto comparados aos estagiários da Cetreine que nem essa ‘benção’ no final do mês nos é concedida, apenas uma graça é tudo que nos restam, assim podem se considerar.Passados os obstáculos materializados no rio de gente percorrendo o curso moldado na Central do Brasil como se fossem elas uma forte correnteza; adentro no Arquivo Nacional com seu ar quase que sagrado contrastando com o cenário profano que a rodeia.
Já sentada acompanhada por um café, folheava algumas páginas da Megazine quando me deparei com uma crônica a qual fazia critica a respeita da votação do Cristo como sendo uma das possíveis sete maravilhas do mundo e no mesmo instante me veio toda aquela confusão de gente andando apressadamente para seus trabalhos, ora contando moeda pra interar na passagem, ora amontoados na frente das bancas de jornais para saberem as últimas notícias do dia e junto com ela me veio uma pergunta, e onde fica Cristo nisso? Será que nos abençoando lá de cima, imponente, a salvo dessa cidade cada vez menos Maravilhosa com a heresia da palavra ou como sendo o mais novo refém, quando incluíram-no nessa votação.
Chegando no Hall dos elevadores da UERJ que mais lembrava o tumulto das manhãs de um dia normal de trabalho na Central do Brasil, cada qual representado por um ramal e suas baldeações para um ramal direto ou parador.
Chego enfim no 9° andar e lá está ele novamente imóvel alheio a tudo que acontece cá embaixo.
O Cristo Redentor pode estar até representado de braços abertos, mas está de braços atados tanto quanto nós, enquanto a imagem de um Rio de Janeiro organizado, tranqüilo é vendida lá fora, aqui no mesmo momento, pivetes estão a nossa espera do lado de fora da UERJ.
Elaine Mariano

2 comentários:
Muito legal, com esses textos que escrevem acabo conhecendo melhor a vida de vcs...de suas práticas cotidianas, e um pouco mais dos diversos olhares no/do/com o Rio de Janeiro...abraços
Verdadeira "João do Rio" vc heim Elaine! Rs. O problema do Cristo não é que ele esteja de mãos atadas, é que ele está tão petrificado qto vc em meio a tanta coisa fora do eixo.
Só pra fechar com mais um trocadilho metafórico: abençoados são aqueles que encaram o dia-a-dia nesse fusuê que transborda aos pés do Cristo Redentor!
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