


Pensar avaliação a partir da minha experiência de vida foi para mim uma atividade muito proveitosa. Pude perceber que muitas concepções ainda permanecem ativas dentro do sistema educacional do qual estou inserida.
Leciono para turmas de Jardim de Infância. E dentro deste meio é que podemos perceber a insenssatez que permeia o mundo infantil educacional.
“Obrigo” minhas crianças a participarem de festas comemorativas que posteriormente perderão totalmente o sentido em suas vidas. Participam de ensaios “alienadamente” sem entender (por mais que se tente explicar os objetivos, se é que eles existem na verdade) os propósitos daquela atividade.
Exigimos confecções de trabalhos que valem 2 pontos, estipulamos regras tolas que os fazem perder pontos ao invés de estimular a criatividade. Temos em nossa constituição a liberdade de expressão, mas podamos nossos alunos todos os dias e os impedimos de crescer, de criar, de serem o que realmente são. Tudo isso para alimentar um sistema sedento por pessoas incapazes de pensar, totalmente hipnotizadas por uma mídia maçante, que trata as pessoas como uma mercadoria.
Já me vestiram de índia, de coelhinha, de Papai Noel, de borboletinha, de florzinha. Sem ter opção de escolha, nem oportunidade para questionar. Fiz trabalhos em grupo e individualmente que em nada contribuíram para o desenvolvimento do meu senso crítico. Eram cópias perfeitas de livros, de mapas e diversas atividades que não faziam o menor sentido e nem promoviam debate. Participei de festas Juninas para obter pontos extras na disciplina de Educação Física. Já fiz cópias por castigo. Já utilizei cadernos de caligrafia. Fui alfabetizada com cartilha.
E analisando tudo isso, concluo que muitas coisas permanecem do mesmo modo. Na escola em que trabalho as crianças ainda fazem trabalhos valendo 2 pontos, em cartolina com babado de papel crepom. Avaliamos nossos alunos com questões iguais as do livro didático e que não provocam nenhum questionamento. Não causam nenhuma mudança efetiva em sua maneira de observar o mundo.
Mas, também vejo que algumas coisas mudaram. A chegada dos PPP’s (Projetos Políticos Pedagógicos) dentro da escola em que eu trabalho, serviu para nos fazer pensar o processo de ensino de uma forma mais lúdica e em comunhão direta com a família.
A única dificuldade é manter essa relação afetiva com a família, pois sabemos que um aluno que possui um acompanhamento de sua família melhora seu rendimento escolar. Em algumas localidades a família não participa das atividades escolares de seus filhos. Isso ocorre por diversos motivos: culturais, sociais, econômicos, entre outros. Portanto, podemos nos considerar com sorte!
Um de nossos projetos que chamou a atenção de todo o bairro foi o que tratava de alimentação saudável. Incentivamos nossas crianças a terem hábitos de alimentação mais saudáveis, fizemos uma campanha de flúor na escola e convidamos uma dentista, tivemos a presença de um nutricionista que palestrou aos responsáveis interessados. Toda as quartas-feiras durante um semestre as crianças levaram frutas, sucos e legumes. Fizemos pratos diferentes na Cozinha Experimental e as frutas foram tema das aulas de Língua Portuguesa, Matemática e Ciências. Foram atividades que fizeram nossos alunos repensarem seus hábitos alimentares.
O saldo foi positivo. Não acho que exista uma escola perfeita, mas estamos cada vez mais nos aproximando dela. Os profissionais de educação estão cada vez mais preocupados em pensar o ato de educar não mais como uma transmissão de conhecimento, mas como um processo de construção da identidade e do senso crítico do aluno.

Um comentário:
Legal o seu depoimento.Fico feliz em saber que não estou sozinha neste mundão de ninguém!!
Gostaria de aproveitar e convidar o seu Blog para um debate aberto sobre os candidatos à Reitoria da Uerj no Blog didArtes.
Link:
http://didartes.blogspot.com/
Bjs,
Pat.
Postar um comentário