Escolho um jeans, uma camisa com a estampa do Che Guevara e como complemento do Look calço um confortável All Star e antes que pudesse sair do Loft apanho o meu livro preferido de Dan Brawn descendo as escadas ouvindo um pop-rock num MP3 e ao chegar no Shopping decido assistir um documentário americano ao invés de uma comédia nacional e na saída do cinema indignada com estado de coisas apresentadas por Michael Moore, sento na praça de alimentação e peço a garçonete um lanche da Mc Donald’s acompanhada de uma Coca-Cola bem gelada a fim de digerir a revolta nascida após a sessão, pensando se não teria sido melhor a comédia nacional.
Esse paradoxo nascido do desejo de uniformizar as diferenças culturas tanto em seu próprio país, quanto em países que possuem uma cultura distinta ao daquela de que se quer impor [como a dominação do Iraque pelos EUA, este tendo como justificativa seu intuito em levar a democracia aquele país.], fomentaram o surgimento de grupos, tribos ditas como minorias por uma sociedade constantemente moldada, podada e freada através de valores que provoquem essas limitações, pois "o imperialismo de hoje não se dá somente por via política e econômica, mas sobretudo pela esfera cultural".
Veja o caso da caricatura do caipira brasileiro desenvolvida por Monteiro Lobato que nasceu em um momento em que idéias cientificistas onde o clima, a localização geográfica e a raça determinavam a possível superioridade de um grupo sobre o outro.
Até a imagem que outros povos fazem do brasileiro como sendo um povo cordial, amistoso, alegre, criativo e esperto foi usada pela Disney na criação do personagem intitulado Zé carioca, este diferentemente do primeiro aqui citado, não fica passivo diante da miséria que o cerca, torna-se malandro garantindo assim sua sobrevivência.
Já os povos árabes não desfrutam da mesma “sorte” que nós brasileiros quando descritos por povos Ocidentais.
Em seu imaginário povoam idéias de que tais povos só entendem a força, a violência e que sua religião é intolerante, segregacionista, fanática e cruel.
Talvez a perplexidade da personagem após a saída da sessão seja decorrente da brutalidade do atentado que em 2007 completou seis anos, acaba por reforçar tal visão ou seria pela vulnerabilidade que qualquer nação está sujeita mediante a esse novo fato, pois se a maior potência mundial fora atacada, nenhuma outra estará a salvo.
Mas cabe aqui a pergunta: A salvo de quê? De um ataque terrorista em território brasileiro? Mas isso já ocorre sendo que de uma forma velada, a cada lanche da Mc Donald’s comprado numa lanchonete de esquina mais perto de você, ou numa simples pesquisa na rede mundial de computadores para se informar sobre a situação atual do Iraque, ou ainda das inúmeras empresas privadas de capital estrangeiro que sufocam nossas empresas nacionais.
E contra quem devemos temer? Aos terroristas que atacaram os americanos? Não, a resposta a essas perguntas é não, pois para nós assim como para boa parte das nações do globo, os nossos verdadeiros terroristas não são aqueles que jogaram aviões nas torres gêmeas na manhã de 11 de setembro que ainda sim é lamentável, mas contra aqueles que controlam o capital mundial com seus bancos e empresas privadas, sem falar no FMI que garanti a manutenção do sistema capitalista, confirmando aquela velha história de que os países pobres continuam cada vez mais pobres e os ricos continuam cada vez mais ricos com a ajuda do primeiro e mesmo assim tendemos a ver os povos árabes exatamente como vilões.
Em suma nos comportamos como a esposa que comenta todas as manhãs a seu marido sobre o lençol mal lavado da vizinha, mas que cansado das constantes reclamações da mulher toma uma atitude e vai ele mesmo lavar as janelas sujas de sua cozinha.
Nós no caso somos a esposa, com nossas blusas de grife com a estampa de Che Guevara e ideais na cabeça, pois como ela não enxergamos o paradoxo bem à frente de nosso nariz, esperando que “eles” seres indeterminados possam lavar nossas janelas.
Elaine Mariano
terça-feira, 2 de outubro de 2007
domingo, 23 de setembro de 2007
Nem um pouco abençoada!
Um dia desses, estava eu indo para o estágio, tendo que enfrentar a rotina de qualquer manhã turbulada no centro do Rio de Janeiro, como de muitos trabalhadores para que no final do mês sejam ‘abençoados’ com um salário mínimo no sentido literal da palavra, no entanto comparados aos estagiários da Cetreine que nem essa ‘benção’ no final do mês nos é concedida, apenas uma graça é tudo que nos restam, assim podem se considerar.Passados os obstáculos materializados no rio de gente percorrendo o curso moldado na Central do Brasil como se fossem elas uma forte correnteza; adentro no Arquivo Nacional com seu ar quase que sagrado contrastando com o cenário profano que a rodeia.
Já sentada acompanhada por um café, folheava algumas páginas da Megazine quando me deparei com uma crônica a qual fazia critica a respeita da votação do Cristo como sendo uma das possíveis sete maravilhas do mundo e no mesmo instante me veio toda aquela confusão de gente andando apressadamente para seus trabalhos, ora contando moeda pra interar na passagem, ora amontoados na frente das bancas de jornais para saberem as últimas notícias do dia e junto com ela me veio uma pergunta, e onde fica Cristo nisso? Será que nos abençoando lá de cima, imponente, a salvo dessa cidade cada vez menos Maravilhosa com a heresia da palavra ou como sendo o mais novo refém, quando incluíram-no nessa votação.
Chegando no Hall dos elevadores da UERJ que mais lembrava o tumulto das manhãs de um dia normal de trabalho na Central do Brasil, cada qual representado por um ramal e suas baldeações para um ramal direto ou parador.
Chego enfim no 9° andar e lá está ele novamente imóvel alheio a tudo que acontece cá embaixo.
O Cristo Redentor pode estar até representado de braços abertos, mas está de braços atados tanto quanto nós, enquanto a imagem de um Rio de Janeiro organizado, tranqüilo é vendida lá fora, aqui no mesmo momento, pivetes estão a nossa espera do lado de fora da UERJ.
Elaine Mariano
domingo, 16 de setembro de 2007
A Escola é...
"Escola é...
o lugar onde se fazem amigos
Não se trata só de prédios, salas, quadros,
Programas, horários, conceitos...
Escola é, sobretudo, gente
Gente que se alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente.
O coordenador é gente,
o professor é gente,
o aluno é gente,
cada funcionário é gente.
E a escola será cada vez melhor
na medida em que cada um
se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de "ilha cercada de gente por todos os lados".
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir
Que não tem amizade a ninguém.
Nada de ser como o tijolo que forma a parede
indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar,
Não é só trabalhar.
É também criar laços de amizade.
É criar ambiente de camaradagem,
é conviver e se "amarrar nela"!
Ora, é lógico.
Numa escola assim vai ser fácil
estudar, trabalhar, crescer,
fazer amigos, educar-se,
ser feliz."
Paulo Freire
o lugar onde se fazem amigos
Não se trata só de prédios, salas, quadros,
Programas, horários, conceitos...
Escola é, sobretudo, gente
Gente que se alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente.
O coordenador é gente,
o professor é gente,
o aluno é gente,
cada funcionário é gente.
E a escola será cada vez melhor
na medida em que cada um
se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de "ilha cercada de gente por todos os lados".
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir
Que não tem amizade a ninguém.
Nada de ser como o tijolo que forma a parede
indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar,
Não é só trabalhar.
É também criar laços de amizade.
É criar ambiente de camaradagem,
é conviver e se "amarrar nela"!
Ora, é lógico.
Numa escola assim vai ser fácil
estudar, trabalhar, crescer,
fazer amigos, educar-se,
ser feliz."
Paulo Freire
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